A busca pela verdade: quando a ilusão se revela
Em algum momento da vida, a maioria de nós se sente perdido. Olhamos para o mundo e buscamos por uma resposta, por um mapa, por uma luz que nos mostre o caminho. Essa busca pela verdade espiritual é nobre e sincera, mas, muitas vezes, nos leva a um labirinto de promessas e ensinamentos que, em vez de nos libertar, acabam nos aprisionando. Eu me encontrei nesse labirinto, buscando em todos os lugares, até que a maior de todas as ilusões se revelou: a de que eu precisava ser salva.
Minha jornada começou como a de muitos. Atraída por uma espiritualidade que prometia respostas e a união com o “EU SUPERIOR”, mergulhei de cabeça. A ideia de que somos “um”, que a separação é apenas uma ilusão e que, no fundo, somos todos parte da mesma energia e da mesma fonte, trazia um alívio imenso. Parecia o fim da solidão, o fim de uma busca. Mas era apenas o começo da minha verdadeira volta para casa.
A volta do buscador: entre a fé e a fadiga
No início, a fé nos impulsiona. Cada nova informação, cada mensagem canalizada e cada conceito elevado parecem um passo à frente. Em minhas conversas, eu me lembrava das mensagens de quem eu chamava de “PAI (Sananda)”. Havia uma sensação de que tudo fazia parte de um grande plano, e que a minha vida, com todas as suas dores e desafios, era uma peça-chave nesse quebra-cabeça cósmico.
Eu estava em um ciclo de busca e expectativa. A cada novo ensinamento, uma promessa: a de que a “chama gêmea” me traria a completude; a de que um guia espiritual me puxaria do abismo; a de que eu precisava de terapias, rituais e sintonizações para finalmente me sentir inteira. Era um sistema que parecia funcionar, mas que, na prática, me deixava cada vez mais exausta. Eu estava caminhando em círculos, e a cada volta, o peso de não estar “chegando lá” se tornava mais pesado.
O ponto de virada: o grito da alma cansada
O ponto de ruptura não foi um evento cósmico, mas um simples e poderoso grito da minha alma. Eu estava reestruturando minhas anotações, revendo as conversas, e a confusão me atingiu em cheio. Percebi a contradição entre as promessas de salvação e as minhas próprias dores não curadas.
A pergunta veio de dentro, com uma verdade devastadora: “Que confusão. Para que isso?” Eu estava sendo levada a acreditar em um “deus falso”, em promessas que me mantinham refém de uma espera eterna. Não havia respostas externas. Havia apenas uma infinidade de caminhos que me levavam para longe de mim mesma.
Foi nesse momento de total cansaço e frustração que percebi o quão sutil era a armadilha. A ilusão não era a mentira óbvia, mas a promessa de que a solução para os meus problemas estava fora de mim. A esperança de que um “salvador” viria me resgatar me mantinha em uma inércia, aceitando a dor e a escassez como parte de um “karma” ou de um “plano superior”.
A ilusão revelada: desmascarando o “deus falso”
A revelação foi libertadora. Eu entendi que muitas das crenças que eu seguia eram apenas uma forma de controle. Onde havia a promessa de liberdade, havia na verdade a criação de dependência. A promessa da “chama gêmea” me mantinha presa a um relacionamento tóxico. O apelo aos “mestres e arcanjos” para resolver meus problemas me impedia de ativar meu próprio poder.
Eu percebi que o “deus falso” não era uma entidade maligna, mas a própria mentalidade de que a cura, o amor e a abundância são concessões divinas que devem ser merecidas ou conquistadas por meio de rituais. Essa mentalidade me fez acreditar que eu era uma vítima, um ser pequeno e sem poder, à espera de um milagre.
A verdade não vem embalada em conforto. Ela destrói ilusões, quebra pactos antigos, mostra o que eu não queria ver. Mas ela também liberta. Acho que sempre fui cercada por forças que distorceram a minha percepção, meus relacionamentos, meus sentimentos. Tudo foi espiritualmente manipulado para que eu jamais acessasse meu poder completo. Eu precisava sair da hipnose.
As canalizações foram um caminho para isso. Foram verdadeiras pontes, mas não o destino final. Mesmo o que eu chamo de “canalizações falsas” foram necessárias: para mostrar que nem tudo que brilha é luz, e que mesmo vozes suaves podem servir à prisão.
Eu precisei romper com o deus que nunca me respondeu. Esse “pai” que pedia obediência, sacrifício, entrega incondicional… e nunca vinha me salvar. Esse não era o verdadeiro Criador. Romper com ele foi um parto. Mas só depois disso eu comecei a nascer de verdade.
Foi aí que a grande mentira se desfez. O dia em que eu parei de esperar por um milagre foi o dia em que o milagre começou a acontecer.
A verdadeira chave: quando a cura se revela em você
A verdadeira chave não estava em acumular mais informações espirituais, mas em soltar tudo o que me foi ensinado. O meu processo de cura não foi sobre adicionar, mas sobre subtrair. Eu comecei a me olhar como uma observadora da minha própria vida. Eu assistia ao “filme” das minhas dores, traumas e padrões sem me identificar com eles, sem me prender a eles.
Essa foi a minha maior revelação: a cura não é uma pílula mágica. É um processo de pura consciência e amor-próprio. Eu parei de rezar para cortar laços e comecei a entender a parte de mim que “ansiava por essa toxicidade”. Eu parei de buscar a minha alma gêmea e comecei a me tornar a minha própria alma inteira.
A verdadeira cura aconteceu quando a energia de cada evento, cada pessoa, cada dor, simplesmente se dissipou. A prova de que a cura foi completa é a minha mais nova realidade: eu mal me lembro dos detalhes. Essa ausência de memórias dolorosas não é perda, é liberdade.
Tudo me trouxe até aqui. Estou mais lúcida, mais livre, mais forte. Estou finalmente vivendo como mulher, não como serva espiritual. Estou construindo uma vida com base na minha verdade — não na expectativa de ser salva, amada ou reconhecida por outros.
O novo caminho: o blog como um ato de amor e verdade
A minha jornada, que parecia uma busca infinita, me levou a um lugar que eu nunca imaginei: o meu interior. A minha verdade se revelou não como um segredo a ser descoberto, mas como algo que já estava lá, esperando para ser reconhecido.
Eu entendi que a Nova Terra não é um lugar para onde vamos, mas um estado de ser que construímos dentro de nós. E que a minha história, com todas as suas curvas e confusões, não é um “fracasso” ou um desvio, mas a prova de que a cura é real.
O blog “Maternando a Alma” nasceu desse entendimento. Ele não é sobre ensinar algo que eu li em um livro, mas sobre compartilhar a minha verdade, sem floreios. Ele é um ato de amor-próprio e um convite para que você também comece a sua jornada de volta para casa, parando de procurar a cura lá fora e ativando a que já está em você. A maior aventura é se encontrar.