O que significa maternar a alma — e por que só agora isso faz sentido pra mim

Durante muito tempo, eu achei que dar conta era o mesmo que viver.
Abracei responsabilidades, ajudei todo mundo, engoli dores, silenciei gritos.
Eu sobrevivi. Mas em pedaços.

Foi só depois de tantas quedas e reconstruções que comecei a ouvir uma voz que não vinha da mente, nem do mundo.
Ela vinha do fundo.
Do fundo de mim.

Essa voz dizia:
cuida de mim.
Me escuta.
Me acolhe.
Sem pressa. Sem cobrança. Sem fuga.

Foi então que entendi:
o que eu precisava não era vencer, resistir, superar.
O que eu precisava era maternar a parte mais ferida e esquecida de mim — a minha alma.

Maternar a alma é oferecer a si mesma o colo que faltou.
É se ouvir de verdade, mesmo quando a dor berra.
É não se abandonar mais.
É reaprender a existir com presença, com amor, com inteireza.

Não é um conceito bonito, nem uma prática mística.
É uma escolha diária de vida real:
escutar o corpo, respeitar o tempo, acolher a sombra, criar espaço para sentir e ser.

Só agora isso faz sentido pra mim, porque só agora eu tive coragem de parar de fugir de mim.
E foi nesse encontro — doloroso, silencioso e libertador — que nasceu esse espaço.

Maternando a Alma é isso: um lugar de presença, verdade e reconstrução.
Um diário vivo da alma que pulsa em cada um de nós.
Aqui, a dor não é vergonha. É semente.
E a escuta é o primeiro gesto de amor.

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